segunda-feira, 9 de julho de 2012

"Boa parte de mim vai embora" Um tórrido folk-rock romântico


     Como num lamento entre conhecidos num bar (ou desconhecidos, dependendo do nível de álcool no sangue) , este disco entra para minha galeria de preferidos trazendo o que o Vanguart têm de melhor: letras e melodias que beiram o bolero canastrão, com uma boa base de rock e uma pitada de humor.

     "Boa parte de mim..." é o segundo álbum da banda e sucede o excelente "Vanguart", disco que apresenta características bem semelhantes ao seu sucessor. Ainda é possível sentir o frescor de um artista que está começando neste novo trabalho. Agora, porém, ele se mescla a uma certa segurança, afinal a banda já está na estrada a um tempo e já sabe o que o público espera.
                                     .http://www.youtube.com/watch?v=oSU8UYodkmQ

     "Mi vida eres tu", como primeira faixa, mostra que a banda tem um som bem diferenciado no cenário nacional, uma mistura que alegra e emociona à medida em que o disco avança. A segunda faixa, que tem o chamativo nome "Se tiver que ser na bala, vai"é uma animada sequência de abertura. O disco também tem como destaque as faixas "Nessa Cidade", "Amigo", a bela "O que a gente podia ser" e ainda a animada "Depressa", que encerra o álbum de forma inesperadamente divertida.
     
     Eu conheci o Vanguart da melhor forma possível: em um show. Foi num festival a pouco mais de um ano em Belo Horizonte. Sabia que eles tocariam, e tinha até ido pra ver outra banda. O show foi incrível, já havia um bom número de fãs no local, e me impressionou a energia da banda no palco. O uso dos instrumentos de sopro e as letras em espanhol dão um certo "estilo" que ninguém mais tem na música brasileira, excelente.

    Letras em boa parte românticas, até bem piegas e canastronas, mas que combinam bem com o som folk do Vanguart. "Boa parte de mim vai embora" é mais um álbum de um artista nem tão conhecido assim, mas que se destaca entre o público underground e a crítica, e que põe em xeque a premissa de que pra fazer sucesso não precisa de conteúdo, coisa que as grandes gravadoras adoram pregar. Vale a pena baixar, ouvir e se impressionar. De preferência com um conhaque no copo e um cigarro aceso (caso você fume).



segunda-feira, 11 de junho de 2012

Treme: Um Brasil popular demais mostra seu lado interessante

   Gaby Amarantos. Se você ouviu esse nome, acredite: você está vendo muita tevê, ouvindo muito rádio, enfim, assim como eu, você está prestando atenção em cultura popular brasileira. Eu digo isso porque Gaby Amarantos, que alguns chamam de Beyoncé do Pará (simplesmente a comparação mais tosca que existe), é  a onda musical do momento.
             
                http://www.youtube.com/watch?v=TyYdqKruD1c&feature=related

   Vinda de um tal tecnobrega, que possui uma força absurda no Pará e nordeste em geral, e é um estilo no qual ritmos culturais e populares do nordeste brasileiro são misturados com elementos eletrônicos, Gaby surpreende ao pegar algo que é comum e generalizado e colocar um elemento importante quando se quer fazer música boa: Personalidade.


                                                    
     Intitulado de "Treme", o primeiro disco da cantora por uma grande gravadora é um disco que agrada quem já gosta de estilos populares como o forró, mas surpreende quem ,assim como eu, torce o nariz  para ritmos "do povão".

     Gaby Amarantos se difere da massa de artistas populares da atualidade por saber o que está fazendo. "Treme" mostra que a cantora  não é uma hitmaker daquele pop sertanejo sem graça e falsamente romântico, ou daquele axé sem graça e sem sentimento que faz com que eu volte meus ouvidos para a MPB e para o rock. Existe um lado artístico que vai além de fazer hits ou colocar músicas em abertura de novela. O disco quer mostrar um Brasil que consegue ser sofisticado, inovador, porém popular.

      Não é gostar do estilo, não é admitir que é bom, não é balançar ao som do tecnobrega, é simplesmente ver que, além da voz surpreendentemente boa, Amarantos respeita e valoriza  a cultura nordestina sem, no entanto, esquecer que o pop é algo fácil de se gostar. A mistura da cantora é surpreendente e , mesmo quem a princípio não gosta deste tipo de som, entra no clima e percebe que não se trata de algo pré-fabricado, feito para virar moda, o que existe é uma valorização cultural com uma pitada de modernidade, divertido, tradicional, porém ousado.
 
                                          http://www.youtube.com/watch?v=niGt6fhwMtA          

     "Eu vou samplear eu vou te roubar" . A frase do refrão de "Xirley", faixa que abre o disco, já mostra que chamar a atenção é bem o que a cantora quer. A sanfona sampleada, a batida eletrônica, tudo na primeira faixa já mostra o estilo que Gaby quer passar. A letra simples, sem palavras difíceis, caracteriza a popularidade e simplicidade do álbum. "Ela ta Beba doida" e "Ex mai love", faixas consecutivas, formam o trio de hits do álbum, um começo explosivo. Outros destaques são a participação de Fernanda Takai na faixa "Pimenta com sal", as faixas "Gemendo" e "Eira', a levemente lenta "Chuva" e a dançante e explosiva "Faz o T", que fecha o álbum.

     Acredito que é grande a chance de quem ler isso (sabendo que são meus amigos que lêem o blog) não gostar de "Treme", não se dar ao trabalho de ouvir o disco, não perder seu tempo,enfim. Mas o que quero deixar claro é que a intenção deste post não é fazer de você um fã ou mesmo um respeitador de um ritmo tão estranho e, por muitas vezes, ruim (quem se lembra de Deja vu sabe bem o que estou falando), é simplesmente mostrar que personalidade e talento, além do respeito pela sua cultura e pelas suas raízes, fazem sim um grande disco, independente do estilo.




   By Carlos









quinta-feira, 24 de maio de 2012

2 Coelhos: A cereja do bolo do cinema nacional



      Pense em um filme brasileiro que trata de criminalidade e corrupção. Agora pense nestes dois temas trabalhados de uma forma nunca antes vista no cinema nacional. Quem ja viu 2 coelhos sabe bem do que estou falando. Aqui, qualquer clichê relacionado a filme nacional é quebrado e uma nova concepção nasce: Misturar uma boa história, cenas de ação e a realidade do nosso país.
      Dirigido por Afonso Poyart, que se lança como diretor, 2 Coelhos é mais que um filme, é uma quebra de regras. A criminalidade, a favela, a guerra entre gangues de bandidos se torna pano de fundo do enredo chocante que Poyart apresenta. Soma-se a isso tudo o que é falado sobre corrupção, tema recorrente na imprensa brasileira e aqui,  tratada como fato, como consequência ,como algo que acontece de forma até corriqueira.
       No meio de tudo isso, um protagonista intrigante. Edgar é um jovem viciado em sexo e vídeo games que passou os últimos tempos nos Estados Unidos e volta ao Brasil com um mirabolante plano para fazer justiça social e acabar de uma vez com a bandidagem e a corrupção, matar 2 coelhos com uma cajadada só.
       É claro que em se tratando de um anti-herói, Edgar escolhe os meios mais sujos e estranhos de colocar seu plano em prática. Tal plano envolve mais pessoas, desde o bandidão Maicon, líder de uma gangue que rende bons momentos de ação e comédia ao filme, até um político corrupto e sua dedicada e apagada esposa.
     O tal plano é o mais intrigante de todo o enredo. A partir do momento em que bombas e malas de dinheiro também entram na história, que também envolve Júlia (Alessandra Negrini) uma promotora de justiça com ligações no mundo do crime  e um ex- professor de faculdade (Caco Ciocler) que tem em seu passado algo em comum com o protagonista , fica a dúvida de até onde Edgar será capaz de ir para concluir seu plano.





     Um grande destaque do filme são os efeitos visuais. É raro no Brasil uma película possuir tantas explosões, tantos slow-motions e tantas cenas de ação feitas com a qualidade que 2 Coelhos apresenta. As cenas de ação são vibrantes, a câmera é, de certa forma, nervosa e a não-linearidade da história contada dão um ar ainda mais diferenciado ao filme. Pra chamar a atenção do público jovem, até cenas inspiradas em vídeo-games são usadas.




     Com uma conclusão excepcional e de tirar o fôlego, em 2 Coelhos todos são bandidos, todos são ladrões e todos tem um pé no mundo do crime. Porém todos também desejam um futuro melhor pra si mesmo, pra quem ama e até pra quem um dia foi prejudicado com alguma atitude sua. Ação com fundamento e favela apenas como parte da história, é um filme que representa a nova cara do cinema nacional, cada vez mais diversificado e ousado. É esperar que daqui a algum tempo possamos acabar de vez com ainda persistente preconceito em relação ao cinema nacional. Concordo que , por algum tempo tal preconceito teve seu fundamento, mas 2 Coelhos é a prova final de que é necessário rever nossos conceitos.






                                              
                                               http://www.youtube.com/watch?v=IaGYMOOjMwA


terça-feira, 24 de abril de 2012

Code Geass: Atos, Consequências e Opiniões

   Hoje vou falar de anime, mas não de um anime qualquer, quero dissertar um pouco sobre Code Geass, um anime produzido pela Sunrise (bem conhecida por quem gosta do gênero), que traz uma história complexa, diferente e deixa em seu final uma mensagem incrível.

  Eu comecei a ver Code Geass provavelmente a mais de um ano, e só terminei agora por dois motivos. Primeiro, meu tempo que se tornou escasso e, segundo, porque Code Geass não é um anime fácil de ver. Nem fácil de engolir. Os primeiros vinte episódios da primeira temporada são bons, mas são cansativos e não mostram o potencial que o enredo tem, isso só vem depois do vigésimo primeiro episódio, que traz uma virada espetacular na história.

   A primeira fase conta sobre a colonização do Japão pelo império de Brittania, que domina a ilha e passa a chamá-la de área 11. Os japoneses nunca aceitaram o domínio dos Brittanians, mas nunca puderam se libertar  devido ao poder pífio da resistência. É nesse contexto que  o protagonista Lelouch Lamperouge é apresentado. Ele, que vive na área 11, se torna o líder dos rebeldes, que acabam conhecidos como a "Ordem dos Cavaleiros Negros" sob o codinome de Zero, um líder mascarado que, apesar da desconfiança inicial, prova que tem capacidade pra liderar os cavaleiros e até pra libertar o Japão da opressão.

   Por baixo da máscara de zero, porém, o estudante esconde dois segredos. O primeiro, é que Lelouch é, na verdade, Lelouch VI Brittanian, décimo primeiro príncipe na sucessão do trono, e quer libertar o Japão para se vingar de seu pai, o imperador, que aparentemente não se importou com o atentado terrorista que matou sua mãe e traumatizou sua irmã mais nova Nunnally aponto de deixá-la cega e paraplégica. O segundo, é que Lelouch recebeu de uma misteriosa mulher, conhecida como C.C, uma habilidade especial conhecida como Geass, habilidade que faz com que Lelouch possa dar uma ordem para qualquer pessoa e tal ordem deve ser cumprida, a qualquer custo.
  
   Partindo daí, Lelouch passa a agir como Zero e lidera os cavaleiros conseguindo incomodar o império. Ele enfrenta, porém, dilemas que aparecem em sua vida pessoal, como o comprometimento de sua amizade com Kururugi Suzaku, o filho do último primeiro ministro japonês, que acaba se aproximando do império e se torna cavaleiro da princesa Euphie, Brittanian que luta pela paz no Japão.
   
    O que chama a atenção à cada episódio é a ênfase que é dada às consequências dos atos do protagonista. À medida que age como Zero, Lelouch compromete cada vez mais a vida de várias pessoas ao seu redor, usando o Geass ou com alguma estratégia de guerra. Fica claro que, para dar à Nunnaly um mundo melhor, Lelouch será capaz de qualquer coisa. Junta-se a isso os mistérios e as histórias de outros personagens (aliás, é o anime com mais personagens secundários que eu ja vi), e a primeira temporada se arrasta com lutas entre os Nighmares, os robôs gigantes do exército imperial ou da resistência, e as estratégias de guerra. E então acontece a virada...

    Num dado momento, as tais consequências apontadas desde o começo aparecem e abalam profundamente a vida de Lelouch/zero. Tudo o que ele fez até então, todas as ações, todos os movimentos, todas as vidas que ele destrói, todas as vidas que ele poupa, tudo volta para ele. Cabe ao espectador definir se tais atitudes são ou não corretas, vale a pena comprometer a vida das outras pessoas para realizar um desejo pessoal, por mais nobre que tal desejo seja??

   O poder do Geass, que a princípio era a grande vantagem, se mostra uma faca de dois gumes, uma arma poderosa para zero, uma difícil consequência para Lelouch. O bem de sua irmã justifica o mal de todos os outros seres humanos?? Zero se torna herói de uns e vilão de muitos outros, o que põe em xeque tudo o que o protagonista faz durante a história.

   Obviamente que não posso contar como termina, mas as consequências dos atos de Zero põe à guerra como pano de fundo da história. O bem coletivo, que era  o desejo de Euphie, faz o protgonista repensar seus atos e escolhas, e faz com que nós pensemos não em nós mesmos, mas em nós como um todo. O que você faz pode ser bom para você e quem você ama, mas pode significar algo de ruim para alguém que também deseja o bem. O anime deixa isso martelando na cabeça no último capítulo.

   Trilha sonora espetacular, batalhas incríveis e um enredo de aplaudir em pé. Code Geass não é um anime comum, foge da regra chata que os animes carregam, e ainda deixa uma reflexão que cabe tanto ao futuro fictício da história quanto ao mundo em que vivemos. Individualismo visto como um problema, mas também como a única saída para atingir suas ambições. 51 episódios, valeu a pena cada segundo.


By Carlos