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domingo, 20 de setembro de 2015

Who Watches the Watchmen?

Um trauma e um desejo inerte de se fazer o bem. Esses são os componentes essenciais dos heróis clássicos. Normalmente esses mesmo heróis são atemporais, o Homem-Aranha sempre será jovem, o Super-Man nunca envelhecerá, mas e se seres humanos de verdade fossem retratados como super-heróis as coisas seriam diferentes. “Watchmen” trata de uma forma mais “pé no chão” o conceito de herói,  como os seus traumas não só são um estopim para fazê-los agir, mas também afetam eles psicologicamente.

Sendo lançado em formato de 12 edições pela DC Comics em 1986, a história foi escrita por Alan Moore, chamado carinhosamente de Mago dos Quadrinhos. Esse gênio foi responsável por vários das mais incríveis historias em quadrinhos, dentre suas obras primas estão “V for Vendetta”,  “Killing Joke” e “The League Of Extraordinary Gentlemen”. O escritor tende a tratar de problemas mais sérios do que é usual pra histórias em quadrinho até mesmo em "Watchmen" ele prefere usar problemas reais como estupro e prostituição para a criação dos traumas dos personagens






         Vendo o mundo sobre outra perspectiva, além de trazer o mundo real pras história pessoais dos personagens, Moore também mostra como seria diferente o mundo com heróis. Como isso afetaria o conceito de vilão, como eles agiriam durante guerras, a reação do governo e da mídia a respeito do fenômeno. É muito interessante o próprio mundo que os heróis vivem, ele é muito rico de detalhes, desde outros heróis que se aposentaram, ou que morreram, a ação deles durante a Guerra do Vietnam. Tudo que os personagens vivenciam aprimora eles próprios, eles vão mudando de acordo com o tempo que se passa. Alguns usam o fato de lutar contra o crime pra expressar seus sentimentos reprimidos, outros o fazem para se sentirem com algum controle na vida e poucos que fazem pelo bem verdadeiro conforme o tempo ou mudam de perspectiva ou deixam de ser heróis. 

          A história começa muitos anos após o ínício de uma lei que proíbe a atuação de heróis nos EUA, mas um antigo herói (Comediante) é morto, quando seus antigos parceiros resolvem investigar o que aconteceu eles se encontram em uma grande conspiração. A trama é intercalada por flashbacks dos tempos áureos dos heróis, quando suas ações eram apreciadas e o governo contava com eles. Esse formato de flashbacks é interessante pois sempre se mostra os pontos de mudança dos personagens, o que aconteceu para que se tornem o que são e a perspectivas deles sobre o mundo.


"Ouvi uma piada uma vez: Um homem vai ao médico, diz que está deprimido. 
Diz que a vida parece dura e cruel. Conta que se sente só num mundo ameaçador 
onde o que se anuncia é vago e incerto.
O médico diz: "O tratamento é simples. O grande palhaço Pagliacci está na cidade,
 assista ao espetáculo. Isso deve animá-lo."
O homem se desfaz em lágrimas. E diz: "Mas, doutor... Eu sou o Pagliacci."
Boa piada. Todo mundo ri. Rufam os tambores. Desce o pano. "


            Concluindo, o história em quadrinhos é uma obra de arte, sem tirar nem por. Mas o tratamento de assuntos bem maduros torna a recomendação meio circunstancial, pois não são todas as pessoas que gostam de ser jogadas em uma realidade tão cinza e suja. Então eu deixo aqui a minha mais alta apreciação, mas se quiserem ler estejam avisados de que tem um conteúdo muito adulto.

domingo, 23 de agosto de 2015

Velhos Amigos

               No final do ano de 2011 foi anunciado um novo projeto da Maurício de Souza Produções. Chamada hoje em dia de Graphic MSP  (termo apropriado pelo formato, Graphic Novels), este projeto trás de volta à tona os personagens criados pelo mestre Maurício de Souza de outra forma. Cada edição foca em um dos vários núcleos de personagem do autor,  trazidos aqui com novo traço e novas histórias, algumas até mais sérias.





               A primeira revista foi lançada em Outubro de 2012. “Astronauta – Magnetar” trata do personagem Astronauta em suas viagens espaciais. Essa graphic novel já trata de um assunto mais adulto do que normalmente é visto nas revistas comuns da produtora. Viajando pelo espaço sozinho, é vista em primeira mão a solidão a que o Astronauta está submetido em sua missão. A revista também apresenta em forma de flashbacks uma grande parte da história do protagonista, mostrando sua motivação para ter embarcado na sua jornada e ter abandonado seus entes queridos.







               Representando a turminha do limoeiro, os irmãos, Vitor e Lu Cafaggi, lançam “Turma da Mônica – Laços”. A história de aventura bota os quatro personagens favoritos da produtora procurando Floquinho, o cachorro verde de Cebolinha. A trama é simples mas  muito divertida, mostrando quão unido o grupo verdadeiramente é. Dentre as quatro revistas dessa primeira parte do projeto, essa é definitivamente a mais emocionante, trazendo de volta os sentimentos que permearam a nossa infância, finalizando com uma conclusão completamente tocante a respeito da amizade entre os personagens.





               Para mudar a visão do personagem, Gustavo Duarte lançou como terceira revista do selo, “Chico Bento – Pavor Espaciar”. O personagem é conhecido por ter histórias que retratam a vida na roça, mais perto da flora e da fauna do país, mas na graphic novel, há uma trama de ficção cientifica para o pobre Chico, no clima do cliché de abduções em lugares afastados da cidade, onde alienígenas fazem experimentos com seres vivos. Dentre as revistas da primeira leva, ela é a que carrega mais referências de outros núcleos, assim deixando a história com alguns easter eggs.





                Terminando o primeiro grupo do Graphic MSP, lançado por Shiko, “Piteco – Ingá” trata da vida pré-histórica, demonstrando a interação entre vilas e o papel das crenças dos povos em suas ações sociais. Misturando personagens mortais com as divindades de sua religião, a história em quadrinhos bota Piteco numa jornada para ajudar Thuga. A aventura quase parece com a de um herói da mitologia grega, a constante mistura entre deuses e homens traz uma pitada de magia para o mundo pouco desenvolvido do núcleo.


               A leitura das revistas é uma boa forma de revisitar esses velhos amigos que conviveram com tantas gerações brasileiras sendo vistos e levados para outra perspectiva. Combinado com a diversidade de gêneros de história apresentados até agora, cada revista carrega um clima único, como se os próprios personagens tivessem crescendo com os leitores e desenvolvendo novas facetas de suas personalidade. Agora o que tem a ser feito é aguardar o que o selo reserva de novo para o consumidor.