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domingo, 4 de outubro de 2015

Story Time: Uma Tragédia Grega

              Há um ditado que diz que “apenas um homem que não tem nada a perder pode fazer qualquer coisa” e é exatamente sobre isso que se trata a franquia God of War. Com seu começo no Playstation 2 e se estendendo ao Playstation 3 e Playstation Portable, esse jogo se tornou a definição do gênero Smash Button.


                Lançado em 2005 pela Santa Monica Studio, God of War traz a história de Kratos, um grande guerreiro espartano que é enganado pelo deus da guerra Ares, que o manipula a matar sua própria família. Após muito tempo procurando um novo caminho, Kratos é encontrado por Athena que quer o ajudar a derrotar Ares, pois ele está influenciando demais a vida dos mortais. É revelado ao espartano que existe a caixa de Pandora, uma arma poderosa o suficiente pra que ele consiga matar o deus, completando sua vingança e resolvendo o problema dos deuses do Olimpo.






                O que nem Kratos nem Athena contavam era que a abertura da caixa de Pandora iria gerar consequências maiores para o mundo. Com os males que antes estavam selados, agora libertos, o mundo começa a se corromper, e os deuses começam a temer o único mortal que pode mata-los. O Olimpo que após a morte de Ares recompensou Kratos com o posto de deus da guerra, agora o teme mais do que tudo, pois ele não tem nada a perder, e talvez até seja mais poderoso do que um deus comum. Zeus, ouvindo o apelo de seus súditos, a arma mais poderosa do Olimpo pelo peito de Kratos, assim o matando.


                A única coisa que os deuses não esperavam era que antigos inimigos voltassem. Apesar de o espartano ter sido mortalmente ferido, uma antiga entidade o dá uma nova oportunidade. Gaia, a titã, ela entrega uma nova oportunidade ao Kratos, de ir atrás das tecelãs e mudar o seu destino, e se ele o fizer, ele poderá se juntar aos titãs num poderoso ataque contra o Olimpo. Assim dito, foi feito, o guerreiro acha as três irmãs, as mata, e usa seus poderes para voltar no fatídico momento em que Zeus o abateu. Após uma grande batalha, quando Kratos ia desferir o golpe final contra seu algoz, Athena se sacrifica para proteger Zeus para que ele volte para o Olimpo.







                 Mas ainda não acabou, agora com o poder das tecelãs, Kratos salva os titãs antes de eles perderem a antiga guerra contra os deuses. Assim, nas costas de Gaia e munido de poderosos aliados, o espartano começa a subir o Olimpo. A subida é sangrenta, e Kratos matará qualquer um que se encontrar entre ele e Zeus, mas a cada deus que ele mata, o mundo vai sendo destruído aos poucos. É descoberto que para matar o rei do Olimpo, será necessário abrir novamente a caixa de Pandora, que agora está segura dentro de uma chama mortal, que só pode ser aberta com o sacrifício da própria Pandora.


                Apesar de tudo isso acontecer, Kratos encontra a caixa vazia, o que não fazia sentido. Quando ele abriu a caixa da primeira vez, ele usou dos males da Terra para derrotar Ares, o que significava pelo que Athena havia lhe dito que agora deveria ter a arma mais poderosa sobrando, a esperança. Mas ela estava errada, Kratos há tanto tempo atrás, havia usado dessa mesma arma para derrotar Ares, o que significava que os deuses foram infectados pelos males da caixa. Mas nada mais importava sua família, seus compatriotas, até mesmo Pandora, todos que Kratos se importou estavam mortos, e ele só conseguia ver o que ele veio destruir. Um último embate contra Zeus, o espartano se desfaz de todas suas armas e o derrota com as próprias mãos.




"Hope is what makes us strong. It is why we are here.
Is what we fight with when all else is lost."



                Mas agora com o reino do Olimpo destruído e o mundo em ruínas só tinha mais uma coisa a se fazer. Apesar de que com esse poder, ele poderia governar o mundo, Kratos decide que o esse seria o fim de sua vingança, e ela só poderia acabar de uma forma. Ele decide se suicidar, assim espalhando o poder da esperança por toda a humanidade, dando a população tudo que eles precisavam para reconstruir o mundo por eles mesmos.



domingo, 6 de setembro de 2015

O Fim Glorioso De Uma Jornada

De tempos em tempos, a indústria de vídeo games elege um jogo como o epítome das novas tecnologias, no ano de 2015 esse cargo pertence ao trabalho final da trilogia “The Witcher”. Sendo considerado por muitos a melhor tradução das capacidades técnicas da oitava geração de consoles de mesa, “The Witcher 3: Wild Hunt” é o jogo favorito para ganhar o prêmio de “Game Of The Year”.


O inicio da PI (propriedade intelectual) foi nas mãos de um autor polonês chamado Andrzej Sapkowski que publicava contos sobre bruxos caçadores de monstros numa revista de ficção científica de nome “Fantastyka”. Os vários contos escritos depois foram compilados em livros de romance que seguiam um bruxo chamado Geralt of Rivia. Após muitos livros de sucesso considerável, uma desenvolvedora de games polonesa conhecida como “CD Projekt RED” transformou as histórias do autor em uma trilogia de jogos no estilo RPG ocidental.




Os jogos dão uma visão à história de Geralt of Rivia, assim como os livros, mas trazem junto fatores que apenas essa mídia possui. Pelo fato do gênero ser RPG e isso levar a escolhas do jogador para definir o andamento da história, isso faz com que todas as interações com personagens importem mais para o jogador num nível pessoal.


A desenvolvedora acertou em cheio no aspecto mais importante do jogo, fazer com que o jogador se sinta como um bruxo. Tudo que é utilizado para caçar os monstros é feito de uma maneira interessante, com rastreios, pesquisas, preparo e a otimização de equipamento. A terceira instalação da franquia tentou alcançar todos os limites que teve oportunidade em questões técnicas, os mapas são maiores que qualquer outro jogo lançado até então, os gráficos utilizam uma grande parte do potencial da nova geração, a trilha sonora é uma obra de arte por si só. Além disso, o jogo trás para quem jogou os antecessores um grande elenco de antigos personagens que estarão presentes para o fim da história de Geralt.





Apesar de o jogo ter acertado até nos aspectos de RPG, como a progressão de equipamentos e sistema de missões, nem tudo é um mar de rosas. A desenvolvedora tentou alcançar os limites estabelecidos pela tecnologia, mas talvez tenham dado um passo maior que a perna. O jogo na versão atual é repleta de defeitos, desde carregamentos que nunca acabam, problemas na administração de jogos salvos, travamento completo do jogo. Os responsáveis tentam corrigir esses bugs conforme são reportados, mas isso resulta em atualizações ridiculamente grandes que não corrigem tudo, por que além das correções vêm juntas mudanças em estética e no equilíbrio de itens, coisas que deveriam ter sido aperfeiçoadas e finalizadas antes do lançamento do jogo. E por mais que a história seja bem pessoal para quem jogou os anteriores, se o jogador for um novato da franquia ele vai acabar se sentindo como um estranho na conversa entre velhos amigos, meio deslocado.


Finalizando, o game tem seus méritos, mas ele está longe de ser perfeito ou até mesmo o epítome da nova geração de consoles de mesa, pois ele não trabalha bem com suas próprias limitações. E a respeito dele ser o “Game Of The Year”... Bem... O ano não acabou.



domingo, 9 de agosto de 2015

Prepare-se Para Morrer

Todas as pessoas de certa forma imaginam ser um personagem principal de um filme chamado “sua vida”. Assim, elas se sentem no direito de reclamar o que todo protagonista merece, um final feliz. Apesar de que é verdade que todas as pessoas deveriam ser felizes, não é sempre o caso. Então quando uma mídia resolve tratar esse outro aspecto do fim de um personagem ela se torna interessante.

                Em setembro de 2011, a desenvolvedora de games From Software lançou Dark Souls, um jogo ambientado num cenário medieval fantástico que é frequentemente lembrado por ter mecânicas altamente punitivas ao jogador. O sucessor de Demon Souls foi um sucesso tanto com a crítica quanto com os fãs, vendendo mais de 2,3 milhões de cópias ao redor do mundo. O sucesso escalou tanto que em 2014 foi lançado o seu sucessor Dark Souls 2 e na E3 de 2015 foi anunciado Dark Souls 3.





Apesar de Dark Souls ser comentado por sua dificuldade brutal, o sentimento que o jogador leva da experiência é a atmosfera muito pesada e escura. O marketing foi feito em cima da jogabilidade, com suas frases “You will die” ou o nome da versão especial do jogo “Prepare to Die Edition”, ainda sim não é a única coisa oferecida. Dentro do próprio jogo, tudo gira em torno de passar para o jogador um sentimento de desespero.

No mundo fictício de Lordran há uma maldição que torna as pessoas imortais, assim qualquer batalha travada não é uma questão de vida ou morte, e sim uma questão de força de vontade. Esse aspecto também é refletido no seu gameplay que é muito desafiador, e fracasso traz consequências fortes.  O jogo revolve em torno de lutar contra o inevitável, e como isso é pessoalmente importante, pois é possível criar significado através da falta de significado.

                O objetivo do jogo é que o personagem principal cumpra uma profecia, que promete que ao fim de sua jornada, ele saberá qual o destino dos mortos-vivos. A história do jogo é apresentada de uma forma incomum, sendo necessário ler descrições de magias e itens para que se entenda melhor como o mundo funciona e as motivações dos diversos personagens que aparecem durante sua jornada.





                O diretor Hidetaka Myazaki trabalhou muito bem a dualidade no jogo, evitando clichês. Luz, trevas, morte, vida, esses aspectos são tratados de forma muito original, e o mesmo se aplica para os heróis e vilões, ninguém é incontestavelmente mau, assim como ninguém é verdadeiramente altruísta. Cada personagem do jogo luta pelo que acredita, ou para lidar com seus demônios pessoais, e isso é importante, pois os mortos-vivos que abandonam suas jornadas geralmente ficam loucos com sua própria imortalidade.


                Apesar de o jogo ter um cenário medieval, com cavaleiros de armadura lutando contra dragões, ele está longe de ser um conto de fadas. Não interessa se a história ou os jogadores retratam os personagens como heróis, vilões ou aventureiros, cada ação tem sua consequência e não importa que eles não façam nada de errado, tragédia ainda os encontrará. Não existem finais felizes em Lordran.